sexta-feira, 12 de agosto de 2016

De:Neolibs/A.M.
      
As consequências de um país que, há muito tempo, odeia a busca pelo lucro, detesta quem tem dinheiro e inibe os mais pobres a melhorarem de vida, são as piores possíveis.
Tais pensamentos e modo de comportamento, é evidente, só poderiam ter sido criados e mantidos por pessoas que nasceram, no mínimo, com boas condições econômicas e, portanto, com tempo de sobra para idealizarem um país supostamente “mais justo” e “se vingarem” dos “mais ricos”. Quem precisa “ralar”, no bom português, para sobreviver, sabe que a busca por melhores condições materiais não é um crime moral. Quem mora em lugares onde não há saneamento básico não acha isso romântico. Não há aqui a defesa do consumismo, se a pessoa é consumista, é escolha dela, mas é fundamental não confundir consumismo com capitalismo. E ainda: jamais esquecer que livre mercado é diferente de capitalismo de “comadres”, que é o que vemos no Brasil desde sempre, com o ápice sendo a Odebrecht criando um banco no exterior para repassar propinas, com direito a um setor na empresa apenas para isso.
O culto à pobreza é nítido na romantização das favelas e periferias, que pode ser visto em filmes, músicas, novelas e livros. Tudo deve ser retratado, é evidente, mas me estranha o fato de haver uma glamourização de uma qualidade de vida difícil para as pessoas. É bom lembrar de uma frase genial do carnavalesco Joãosinho Trinta: “Quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta é de luxo!“.
Um país que insiste em transformar, sistematicamente, o difícil em fácil, o ruim em bom, o lixo em luxo, invertendo toda ordem natural das coisas, não poderia ter bons resultados: é por isso que um sujeito que decide abrir uma empresa e empreender é visto como louco, explorador, preguiçoso, ganancioso. Ou seja: um cara do mal. Quando um país inteiro tem como única opção de vida razoável estudar e passar num concurso público, a nação se diminui, se ajoelha diante da mensagem clara aos mais jovens: “Senhoras e senhores, aqui quem vos fala é o Estado: ou trabalhem para mim ou morram. Se virem!“.
É preciso deixar cristalino que não quero generalizar. Existem funcionários públicos, e são a maioria, da melhor qualidade. A minha cisma é com esta ser a única alternativa viável para a enorme maioria dos brasileiros na fase de decisão de suas vidas profissionais. Tal horror a tudo que é privado também pode ser notado na falta de sintonia entre faculdades e empresas. Não se vê pesquisas com foco na melhoria da vida prática do brasileiro. É um mundo próprio, uma realidade paralela bancada com dinheiro dos mais pobres, para variar.
E aqui há outro sintoma do ódio ao empreendedorismo, que é a aversão aos Estados Unidos da América, ensinado da mais tenra idade ao último dia de qualquer faculdade, seja ela pública ou privada. Aprendemos a odiar o “imperialismo” e o “capitalismo“. Logo, como algum jovem em sã consciência vai se espelhar no que eles tem de melhor?
E cria-se no imaginário popular a figura do maior vilão do país: o patrão. Ah, mas nem o roteirista do Game of Thrones conseguiria idealizar um sujeito para ser tão detestado quanto o “chefe”. Se você tenta ajudar na empresa, você é um puxa saco do chefe. Se você tenta enxergar os problemas pela ótica do empreendedor que é muito onerado, é um traíra. E assim a lógica — ou a falta dela — segue em todas as escalas Brasil afora: você precisa vestir a camisa do vitimismo, precisa entregar-se à massa que quer apedrejar os “patrões”, seguindo o slogan caricato do PCO: “Quem bate cartão não vota em patrão“. É quase obrigatório que você pegue sua inteligência racional e a esconda no lugar mais escuro da sua consciência, e se renda ao que o politicamente correto te obriga a dizer e fazer.
Dá até para fazer um checklist descolado:
aversão aos EUA – OK.
aversão ao lucro – OK.
aversão ao dinheiro – OK.
aversão aos ricos – OK.
suposta preocupação com os mais pobres, mesmo jamais refletindo sobre o que melhoraria a vida deles – OK.
Pronto, feito este checklist, você será aceito em 90% das “rodas” sociais no Brasil. Tudo é um teatro de 5ª categoria, com consequências práticas horrorosas, que mantém o Estado ineficiente, corrupto, preserva uma elite de pessoas “engajadas” que jamais largarão suas moradias caras para morar na periferia, continua impossibilitando de forma maquiavélica que grande parte dos mais pobres tenha acesso aos bens de consumo mais básicos do planeta, com impostos nórdicos e aplauda, com a cara mais blasé, todo e qualquer candidato que afirme que o Estado vá resolver todos os nossos problemas.
Isso nos leva a outro checklist, este menos romântico, sobre o Brasil:
  • 122ª colocação no ranking de liberdade econômica, atrás de Nigéria e Honduras, por ex.
  • 12º lugar em saneamento básico na América Latina. 
  • último lugar em retorno de impostos no mundo.
  • 83º no índice de capital humano, que calcula como um país prepara seu povo para gerar riquezas.
  • 58º lugar em matemática no PISA, dentre 65 nações. 
Por isso, eu tenho uma certeza no meu íntimo: somente quando o brasileiro parar de dar razão a Tom Jobim, que dizia que “no Brasil sucesso é ofensa pessoal“, é que poderemos, talvez, encontrar o caminho de um país bem sucedido. O paradoxo que é preciso entender é: buscando a riqueza individual é que se chega a uma economia mais forte e, consequentemente, a uma melhoria de vida de todos, incluindo os mais pobres. Não há e nunca haverá programa social melhor do que dinheiro sobrando no fim do mês para uma família escolher como e quando gastá-lo. Nunca haverá um governo para empreender melhor do que um cidadão motivado a obter lucro e satisfação com algo. Nunca haverá um país ideal onde milhões de habitantes trabalhem e ganhem a mesma coisa, isso é criação de pessoas bens de vida — assim como as ‘engajadas’ de hoje — de um passado não tão distante, que descobriram no socialismo o zoológico para experimentação do ser humano. Deu certo?


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