terça-feira, 16 de junho de 2015


A má condução da economia venezuelana vem afetando a disponibilidade de papel no país. Em 2013, no início do problema, alguns jornais chegaram a paralisar por conta da escassez do produto, cada vez mais difícil de conseguir. O governo, no entanto, não deu muita atenção para o problema – afinal, jornais de oposição estavam se calando e dessa vez não poderiam culpar diretamente Maduro pelo problema, que condenava a burguesia por uma suposta “guerra econômica”.

Mas a disponibilidade de papel só piorou desde então e logo atingiu as esteiras de fabricação de papel higiênico. Aí não teve jeito.

Maduro veio a público, culpou a elite por todos os problemas da sua gestão econômica e disse que o país venceria os problemas de escassez nacionalizando a gestão de empresas privadas dos setores atingidos pela temida “guerra econômica”. E isso incluiu, claro, as de papel higiênico!

Mais uma vez a história se repetiu: a estatização não resolveu nenhum problema de escassez

A crise do papel agravou-se cada vez mais, obrigando o país a rebaixar-se ao nível de negociar petróleo em troca de papel higiênico com países latino-americanos.

Agora, porém, a crise monetária que atinge o país, que registra de forma oficial mais de 68% de inflação – a maior do mundo –, pode ter dado uma saída provisória para a crise dos banheiros: o uso de células de Bolívar Fuerte como papel higiênico.



Segundo dados do DolarToday, site venezuelano que divulga o preço do dólar no mercado negro do país, a moeda yankee chega a valer mais de 400 mil Bolívares, ou 400 Bolívar Fuertes.

Fazendo uma busca rápida na Amazon dos Estados Unidos, é possível perceber que uma caixa de 48 rolos do papel higiênico mais vendido, Angel Soft, custa US$ 21,99. Isso dá US$ 0,46 por rolo, que na cotação não-oficial do DolarToday equivale a cerca de 184 Bolívares Fuertes (BsF). Ou seja, 92 cédulas de 2 BsF – na Venezuela não existe nota de 1 BsF, apenas moeda.

Mesmo um rolo de papel higiênico comprado no Brasil vale mais que o Bolívar: no site brasileiro da Staples, maior rede mundial de lojas de produtos para escritório, encontramos um fardo com 64 rolos do papel higiênico Neve Folha Dupla por R$ 87,15, o equivalente a R$ 1,36 por rolo.

Fazendo-se a conversão do Real para o Dólar, temos US$ 0,43 por rolo, o equivalente a 172 BsF, ou 86 cédulas de 2 BsF.

As 86 notas, se coladas umas nas outras, resultariam num rolo de 13 metros, quase metade do rolo de papel Neve. Mas as cédulas possuem algumas vantagens que fazem seu uso economicamente viável: são mais grossas e podem ser lavadas para a reutilização, e estão disponíveis em abundância no país, diferente dos rolos de papel higiênico.


Além de todas essas vantagens econômicas sobre o papel higiênico, as notas ainda possuem a assinatura do Presidente do Banco Central da Venezuela, o que torna seu uso como papel higiênico ainda mais simbólico.

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