sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou na terça-feira (19) o aumento das tarifas de energia cobradas pela Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba). O aumento médio, que passa a vigorar a partir de sexta-feira (22), será de 10,72%.

Para consumidores de baixa tensão (residências e comércio), o reajuste será de 10,76%. Já para os de alta tensão (indústria), o aumento chega a 10,64%. O índice médio do reajuste ficou 1,25 ponto percentual acima da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que no acumulado de 12 meses (maio de 2015 a abril de 2016) alcançou 9,39%.

As novas tarifas são válidas para os 5,7 milhões de clientes da concessionária, porém, o consumidor só irá perceber o reajuste nas faturas recebidas a partir do próximo mês. Com o reajuste, a Coelba estima, por exemplo, que no caso da conta de um consumidor residencial que utiliza 100 kWh/mês, a conta que antes custava R$ 53,34 será reajustada para R$ 59,11, acréscimo de R$ 5,77.


Impacto no bolso – Mal se livrou da cobrança da bandeira vermelha, que deixou a conta do mês de abril mais barata após a adoção da cor verde, a dona de casa Jacir Souza vai ter que manter a operação de economia de energia dentro de casa. 

“Fica difícil economizar e continuar pagando caro. Chegou uma conta aqui que eu paguei R$ 200 de luz, mas consegui reduzir esse mês para R$ 109. Depois desse aumento, nem sei mais em quanto isso vai ficar. O que eu sei é que é sempre o consumidor que termina pagando”, fala. 

A dona de casa conta que fez de tudo para reduzir o consumo de energia, desde apagar todas as luzes até a tirar todos os aparelhos eletrônicos da tomada. “Eu nem passo mais lençol. Tiro do varal e vou logo dobrando. Até o ar-condicionado que dormia ligado eu acordo no meio da noite para desligar. Quando o marido reclama, a gente corre e liga o ventilador”, diz. “Se não desligar a conta vem pesada. Por isso a economia de energia aqui em casa é uma tarefa diária”, completa. 

Segundo a presidente da Associação do Movimento das Donas de Casa e Consumidores da Bahia (MDCCB-BA), Selma Magnavita, o reajuste compromete ainda mais o orçamento familiar, principalmente em tempos de crise. “Sai a bandeira vermelha e quando a gente pensa que vai respirar aliviado entra o reajuste”, protesta. 

Para o consumidor, a bandeira verde – que vigora no mês de abril – resultou numa redução média entre 6% e 7% na conta de luz. “É um absurdo, nós vivemos no sufoco com um salário que não acompanha todos os aumentos. O consumidor é o maior penalizado por todos os efeitos da crise”, afirma Selma. 

A única saída é continuar economizando. “A gente tem que converter a utilização da energia em economia. É tirar todos os aparelhos da tomada mesmo, deixar todo mundo no banho frio e otimizar o uso dos eletrônicos para que o efeito disso possa chegar na conta”, aconselha. 

Além da Coelba, a Aneel autorizou ontem os reajuste na conta de energia elétrica das distribuidoras que operam no Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe. O estado onde a conta mais encareceu foi o Ceará, com aumento médio de 12,97%.

O menor reajuste autorizado foi para o estado de Sergipe, com majoração média de 5,24%. No cálculo feito pela agência na definição dos índices de  reajuste é levado em consideração a variação de custos de cada distribuidora, associada à prestação dos serviços que são atualizados com base no Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M).

Indústria e  varejo criticam o reajuste acima da inflação – Tanto o setor produtivo quanto o varejista reagiram negativamente ao percentual do reajuste na conta de energia na Bahia. Para os consumidores industriais e comerciais de médio e grande porte, atendidos em alta tensão, o aumento  irá deixar, em média, a conta 10,64% mais cara.

Em vigor a partir do dia 22 de abril, o reajuste é mais um  custo para as empresas diante das quedas nos volumes de venda e  produção. 

“Nós vemos esse reajuste com tristeza, principalmente em um momento em que todo  setor produtivo e o comércio estão com a mão na cabeça, sem conseguir produzir nem vender e sem perspectivas de crescimento a curto e médio prazo” afirma o presidente da Fecomércio, Carlos Andrade. “A gente não consegue enxergar nenhuma luz no fim do túnel”, lamenta. 
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